Ir para conteúdo

A chance do ‘sim’ nos invisíveis da atenção

Alguns de vocês já me ouviram falar do filme “Muito além do jardim”, se trata de uma grande obra do Peter Sellers. O título original é “Being There” e o personagem principal, Mr. Chance, desempenhado pelo próprio Sellers, é pura atenção e relaxamento. Ele se move a partir do momento presente, sempre. Nunca está preocupado com o ontem ou o amanhã. E, principalmente, está sempre dizendo “sim”, nunca está em conflito com absolutamente nada.

Participante – Um “sim” verdadeiro, não é?

Totalmente autêntico.

Mas, para alguns de vocês, quero ressaltar: não se preocupe se o seu sim é autêntico ou não, diga “sim”, de qualquer maneira. Isso porque a mente é muito ardilosa e pode querer gerenciar a autenticidade do seu sim. Portanto, simplesmente, diga “sim”.

Osho disse algo preciso sobre isso: “O não é importante para o ego. Uma pessoa egocêntrica está sempre dizendo não.” Você percebe? Agora, observe uma criança, daquelas ainda pequenininhas: ela está sempre pronta para o que der e vier. Inclusive, ela está tão aberta e disponível para explorar absolutamente tudo à sua volta, que impomos sobre ela alguns limites.

sim, portanto, é autenticamente natural, até que os pais comecem a delimitar: “Isso não pode!”. E assim, por volta dos três anos de idade, a criança aprende também a dizer “não”. Alguns tomam gosto e se tornam pequenos tiranos, dizem “não” para qualquer coisa e se alimentam da reação que esse não causa. E há quem não saia dessa fase.

Por isso Osho aponta para a impossibilidade da mente dizer “sim”, ela sempre diz “não”, ela sempre sabe mais e/ou sempre quer outra coisa que não o que está acontecendo no momento presente. Essa é a ilustração da formação daquilo que chamam, psicologicamente, de “caráter”.

Em nosso contexto, em atenção, quando você está presente, quando há observação, você não firma nenhum caráter, apenas diz “sim”.

É claro que você vai ter que experimentar. Mas para uns de vocês seria de grande valor, categoricamente, dizer “sim” perdidamente para tudo. A mente propõe: “Eu não como beterraba”, e você come. Pois sempre que você tiver que pensar, será gerada uma resposta não espontânea, completamente dependente do seu condicionamento, de lógicas internas, inclusive, invisíveis ao seus olhos.

Para enxergar esses condicionamentos será necessário um microscópio, cujo nome, aqui, é “atenção”. Somente em atenção você pode ver o seu condicionamento jogando. E é no momento em que você , que nasce a possibilidade de cancelamento desse fluxo inconsciente.

É muito sutil e você vai ter que experimentar. O primeiro passo é desvendar os condicionamentos, essa é a única maneira de compreender o não e se abrir, em relaxamento, para o sim. Pautado na observação, não há necessidade de proteção ou limites, porque não há antes nem depois. No agora, com o sim sendo o seu guia, nada pode molestar a sua paz. E, assim como Mr. Chance, você pode se mover no mundo, livre de conflitos.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: