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Na falta da ilha, tudo é mar

Participante – Outro dia ouvi você dizer algo como “você tem que descobrir que todo o dinheiro do mundo é seu”. Do ponto de vista do silêncio, é claro que nunca nos falta nada, tudo é abundância, não existe falta de nada. Mas confesso que fiquei com aquilo ecoando…

É melhor pensar assim: não é que não haja falta, o que você precisa descobrir é que não há necessidade de nada.

Participante – Nem necessidade, nem falta…

A falta já é secundária. Só há falta se há necessidade. Se não há necessidade, não há falta. Mas aqui me refiro Àquilo que você é, não àquilo que você parece ser, ou pensa ser, ou sente ser.

Participante – Mas para a mente isso é totalmente impossível. Isso só existe…

Esqueça a mente!

Você é quem precisa rever de novo – e de novo e de novo – o fundamental. Mas você insiste em se voltar para a periferia, esperando que o fundamental esteja na periferia.

Na periferia só encontramos o periférico.

Quando digo que você tem todo o dinheiro do mundo, essa é uma maneira metafórica de apontar para a desnecessidade. Significa: veja de que maneira você cria a sua realidade pensando!

Já notou quantas vezes você afirma “é difícil”?

Quem é esse que diz que “é difícil”? Se acredita que seja o silêncio, você ainda não observou bem, está faltando alguma coisa, falta um mergulho mais profundo.

A preocupação com essas coisas aponta para o periférico, reforçam a sua permanência no periférico, como um “eu pensado”, que se relaciona com dinheiro e outra série de coisas. Mas o que é o dinheiro, de verdade? É um papel com a frase: “In God we trust” (Em Deus nós confiamos). O que, diga-se de passagem, deixa implícito que “confiamos em Deus, porque nós mesmos não somos confiáveis”.

Mas o dinheiro não existe. A ilusão é grande. A ilusão e a complexidade da ilusão.

Poderíamos analisar essa questão por muito tempo. Mas, ao mesmo tempo, você voltaria ao ponto de partida, porque a ilusão principal não foi dilapidada. Por isso a questão “Quem é você?” é fundamental. O que acontece na superfície não tem nada a ver com você. O que acontece, acontece por inúmeras e incontroláveis variáveis.

Você não pode decidir o que vai acontecer com você – porque esse “você”, como você pensa, não é você e tampouco existe como uma ilha. O “você” é fruto de relações – invisíveis, inclusive. Tudo é mar.

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