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O poço sem fundo e a água sem lua

Quando a monja Chiyono estudava Zen, sob a maestria de Bukko, de Engaku, por muito tempo foi incapaz de atingir os frutos da meditação. Enfim, em uma noite de lua cheia, ela estava carregando água, num velho balde atado com bambus. O bambu se quebrou e o fundo do balde caiu e, naquele momento, Chiyono foi liberada. Em comemoração, escreveu um poema:

“Desta maneira e daquela eu tentei salvar o velho balde

quando a haste do bambu foi enfraquecendo

e estava quase se quebrando.

Até que ao final o fundo caiu,

não tem mais água no balde e não tem mais lua na água.”

Este poema ficou conhecido por essa frase bem sintética: “nem água, nem lua”. Na iluminação da Chiyono, desapareceu a água, desapareceu a lua. Na iluminação da Chiyono, nem água, nem lua.

Isso me lembra aquela famosa anedota do Nasrudin, um sábio persa, que vinha caminhando, em uma noite de lua cheia e, ao passar perto de um poço, ouviu um barulho vindo lá de dentro. O barulho o assustou e então ele se debruçou sobre o poço, olhou para dentro e viu ali a lua.

Rapidamente gritou: “Não se preocupe, vou salvá-la!” Entrou no poço para resgatar a lua e, de repente, na escuridão, escorregou e caiu dentro da água. Caído, ao olhar para o alto, deu de cara com a lua brilhante no céu. Então, sem hesitar, exclamou contente: “Nossa! Se eu não tivesse passado aqui, não teria te salvado”.

Isso é mais ou menos o que acontece quando o fundo do balde cai e você descobre que não tem água, nem lua.

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