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Você é ruído, silêncio!

Vivemos sob a ditadura daquilo que aprendemos, que não passa de algo que, um dia, um disse para o outro, que disse para o outro, que disse para o outro… E, dessa maneira, perdemos a capacidade de autoconhecimento – você não pode se conhecer porque não tem autoridade para isso, precisa que alguém valide o seu conhecimento.

O que acontece com a humanidade como um todo? Ela está presa em um sistema totalmente inconsciente, que determina o que você é, o que deve pensar, sentir, fazer. Por isso esses resíduos: você, mulher, pessoa, ser humano…

Por isso, para conhecer a si mesmo, romper com o conteúdo aprendido é fundamental. Quando se rompe com o ditado, um espaço silencioso se abre e você o experimenta. Mas você não o experimenta como um ruído, o experimenta como silêncio – o que torna a experiência ainda mais sutil, porque não entra, de maneira nenhuma, no repertório aprendido.

Não aprendemos, em nenhum momento, a ser o silêncio. O máximo que nos é dito, nesse sentido, é que pode haver “a pessoa em silêncio”; o que promove, imediatamente, a dualidade desse aspecto: a pessoa em ruído.
O equívoco está em não ver que a noção de “pessoa”, essa concepção, ela mesma, é um ruído no silêncio. Mas o que está sendo apontado aqui, em satsang, é que você tem que ir além do ruído. Lamento, quando digo “você ir além do ruído”, fica impreciso, porque o ruído não pode ir além do ruído. É por isso que muita gente para no caminho, porque ficam ruidosamente tentando ir além do ruído.

Não tem como você ir além do ruído, mas você tem que ir além do ruído. Como posso dizer isso de uma maneira mais digerível?

O que quero dizer é que existe um você que é desconhecido para você, que não é um ruído e já está além do ruído – mas não é “você”. Com isso, é a noção de você – que está muito impregnada nas suas células, nos seus músculos, nos seus pensamentos, nos seus sentimentos – que precisa ser, digamos assim, exorcizada.

O exorcismo mais elegante, no entanto, é confrontar a mente. Cada vez que ela diz “eu”, questione, como numa espécie de espaço paralelo: quem é esse eu que a mente está dizendo que sou?

Comece dando-se conta de que a mente tem falado por você, mas o que ela fala sobre “você”, não é você que fala. A sua mente tem sentido por você – o que você sente, não é você que sente, é a mente.

Acordar promove uma espécie de rebelião – muito criativa, muito necessária – em que o questionamento é fundamental. E o primeiro passo é questionar o que você pensa.

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